Restaurante Golfinho, na Costa da Caparica: Peixe vivo

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Restaurante Golfinho, na Costa da Caparica: Peixe vivo

Pequeno restaurante de características populares, tanto no ambiente como na cozinha e no serviço. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

José Caria

Há restaurantes por todo o lado, quer de cozinha portuguesa, quer de outras, como a italiana e a japonesa, que estão na moda, mas se nos apetece comida tradicional simples e bem feita, em ambiente despretensioso, com preço acessível, ficamos sem saber aonde ir. Felizmente, ainda se encontram alguns lugares com essas características, como é o caso do Golfinho, na Costa da Caparica, onde Serafim Leça se estabeleceu há 20 anos, numa casa pequena, mas agradável, com quatro filas de mesas pequenas encostadas umas às outras, toalhas brancas de papel sobre plástico e decoração singela com motivos rústicos, tendo à entrada, do lado de fora, um grelhador antigo, onde arde o carvão; e, do lado de dentro, uma montra polivalente e colorida com peixes e legumes frescos. De origem minhota, Serafim sabe tudo sobre peixes, que trata com mestria, sobretudo na grelha e na caldeirada. Tem a ajuda da mulher, Áurea, na preparação do peixe, e da filha, Cátia, no serviço de mesa. O ambiente é familiar, como nas antigas tascas e casas de pasto, onde ninguém está sozinho.

Pode estar sentado à mesa a ler a ementa e ver chegar tecas de peixe, acabado de pescar, que talvez o obriguem a repensar a escolha. Tanto pode ser carapau-manteiga – carapau de anzol, na gíria local -, como dourada, robalo, sargo, linguado, salmonete, choco, peixe-espada ou outra espécie destinada a passar pelo grelhador, antes de ir à mesa. A salada e os legumes que acompanham o peixe grelhado são das hortas vizinhas e apresentam idêntica frescura. Também há sempre caldeirada, que demora 30 minutos, porque é feita ao momento, enquanto se petisca queijinho fresco, seco (de ovelha) ou de Azeitão; cadelinhas ou camarões do rio, quando há; caracoletas, que nunca faltam. E eis que chega a caldeirada, a rescender, com raia, cação (quando estão bons), tamboril, tremelga, pata-roxa, enfim, com as espécies tradicionais da caldeirada. É simples, deliciosa, sem outro segredo que não seja a qualidade do peixe e do azeite utilizados. Do fogão sai também uma massinha de peixe simples e boa. Não há fritos. Quanto a carnes, destaca-se o cozido à portuguesa (domingo e quinta-feira, no outono/inverno; quinta-feira, na primavera). Doçaria comum – arroz-doce, leite-creme, musse de chocolate – exceto o gelado flamejado, cuja autoria é de Serafim Leça. Garrafeira adequada com três dezenas de referências e vinhos da casa maduros e verdes. Serviço simpático.

José Caria

Golfinho > Av. D. Sebastião, 117, Costa da Caparica > T. 21 407 9787 e 91 408 2448 > qua-seg 12h-16h, 19h-22h > €15 (preço médio)

http://visao.sapo.pt/actualidade/visaose7e/comer-e-beber/2016-05-04-Restaurante-Golfinho-na-Costa-da-Caparica-Peixe-vivo

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